Lucas do Rio Verde/MT - 10/08/2026 2:01 am

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Povo Xavante fecha a BR-158 contra obras da FICO e cobra demarcação de áreas na TI Areões em Mato Grosso

A mobilização, que é a segunda realizada pelo grupo em menos de um mês, denuncia a ausência de consulta prévia às comunidades e cobra a conclusão da demarcação de quatro áreas reivindicadas na região do Araguaia.

O empreendimento ferroviário, projetado para ligar Mara Rosa (GO) a Água Boa (MT) com foco no escoamento de safras de grãos, prevê traçado sobre trechos cobrados pelos Xavante e ameaça impactar cerca de 21 terras indígenas situadas no Cerrado e na Amazônia.
A disputa territorial remonta ao decreto de homologação da TI Areões, assinado em 1996, que deixou fora da delimitação oficial quatro áreas de ocupação tradicional: Areões 1, Areões 2, Norotsutsutupa e Etedzutserehi. Enquanto as duas primeiras abrigavam aldeias permanentes à época e hoje estão com estudos adiantados, os outros dois territórios guardam especial valor espiritual e de subsistência, abrigando sítios de caça, coleta, cemitérios e uma gruta com pinturas rupestres ancestrais.

De acordo com o povo A’uwé, a estatal Infra S.A. só procurou a comunidade para tratar do projeto em 2026, com os estudos de engenharia já concluídos, descumprindo a Convenção nº 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que exige a Consulta Prévia, Livre e Informada aos povos originários.

Em posicionamento público, a Associação Brasileira de Antropologia (ABA) alertou para os riscos do empreendimento na vida diária do grupo, destacando prejuízos “à presença da caça, à saúde, à segurança e à cultura, incidindo diretamente sobre o modo de vida e a alimentação do povo Xavante”.

Os protestos na rodovia federal no interior de Mato Grosso coincidem com a pauta de votações do Supremo Tribunal Federal (STF), que analisa a constitucionalidade da Lei 14.701/2023 (Lei do Marco Temporal).

Diante do cenário de incertezas jurídicas sobre a regularização fundiária e da pressão de grandes obras de infraestrutura na região, delegações A’uwé Xavante organizam comitivas para acompanhar o julgamento em Brasília e pressionar os órgãos federais pela paralisação das obras no trecho contestado.

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