Lucas do Rio Verde/MT - 18/09/2026 1:16 pm

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Clima e incertezas políticas freiam o plantio da soja em Lucas do Rio Verde e região

O vazio sanitário da soja terminou no último dia 6 de setembro em Mato Grosso, mas a paisagem nas grandes propriedades de Lucas do Rio Verde e região ainda é de máquinas paradas. Contrariando a pressa natural de início de safra, os agricultores luverdenses adotaram uma postura de extrema cautela, ditada por uma combinação indigesta: a instabilidade meteorológica e a insegurança gerada pelos rumos da política econômica do governo.

De acordo com o levantamento do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) e do Agro Mensal (Consultoria Agro do Itaú BBA), o avanço das máquinas no Centro-Oeste e no Matopiba segue em ritmo lento e gradual. O cenário contrasta fortemente com o estado do Paraná, onde a semeadura já avança em ritmo acelerado.

Em Lucas do Rio Verde, a decisão de colocar a semente na terra nunca foi tão calculada. Para os próximos dez dias, as previsões do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) indicam volumes de chuva entre 30 mm e 50 mm. O volume seria suficiente para dar a largada no plantio, mas os modelos meteorológicos alertam para uma distribuição altamente irregular ao longo de outubro.

O receio é plantar no pó ou com baixa umidade e, na sequência, enfrentar a seca. Com a consolidação de um fenômeno El Niño de forte intensidade — cujo Índice Oceânico do Niño (ONI) está estimado acima de 2,0 nesta primavera —, a necessidade de um replantio é um fantasma real.

A este cenário climático, soma-se o peso do cenário político. A instabilidade no governo federal e a falta de clareza nas políticas de crédito e seguro rural criaram um ambiente de aversão ao risco. Sem garantias econômicas sólidas e com os custos de produção elevados, o produtor de Lucas do Rio Verde sabe que errar a janela de plantio e ter que replantar áreas inteiras pode significar o fim da margem de lucro da safra 2026/27.

Diferentes realidades: Trigo sofre no Sul e perenes respiram
Enquanto o produtor de soja de Mato Grosso olha para o céu pedindo regularidade, o excesso de precipitação castiga outras culturas pelo país. No Rio Grande do Sul, as chuvas frequentes ligam o alerta máximo para as lavouras de trigo, que estão em fase final de ciclo e colheita. O excesso de umidade e a falta de sol favorecem a proliferação de doenças fúngicas, ameaçando a qualidade do grão.

Por outro lado, as precipitações de setembro foram providenciais no Sudeste. Culturas perenes como o café tiveram a umidade do solo reposta, garantindo a uniformidade das primeiras floradas da safra 2027/28, enquanto a citricultura viu o estresse hídrico dos pomares ser drasticamente reduzido.

No mercado internacional, o olhar se volta para o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). O mais recente relatório de oferta e demanda elevou a projeção da safra americana de soja em 430 mil toneladas, consolidando uma colheita estimada em 123,42 milhões de toneladas no ciclo 2026/27.

O USDA manteve a estimativa de produção do Brasil inalterada em 186 milhões de toneladas. No entanto, analistas do Imea são categóricos ao afirmar que esse teto produtivo brasileiro passará por revisões severas muito em breve. A forma como o clima instável e o El Niño afetarão o ritmo das plantadeiras em municípios-chave como Lucas do Rio Verde será determinante para o tamanho real da safra brasileira.

Para dar suporte aos preços globais da commodity, o documento norte-americano destacou o fortalecimento contínuo da demanda, ajustando o volume de esmagamento global de grãos positivamente para a marca de 385,22 milhões de toneladas.

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