Lucas do Rio Verde/MT - 20/08/2026 7:20 am

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Ferrovias projetadas para Mato Grosso ampliam perspectivas para mineração, agro e novos negócios

A expansão da malha ferroviária brasileira pode representar para Mato Grosso mais do que uma alternativa para o escoamento da produção agrícola. A implantação de novos corredores tem potencial para transformar a logística do Estado, ampliar a movimentação de diferentes tipos de cargas, reduzir custos de transporte e criar condições para a atração de novos investimentos.

O tema ganhou destaque durante o Fórum Destravando o Potencial da Mineração no Brasil, realizado nesta terça-feira (18), em Brasília. Ao participar do painel Infraestrutura e Competitividade, o diretor-geral da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), Guilherme Theo Sampaio, apontou seis projetos ferroviários considerados estratégicos para os próximos anos. Entre eles estão a Ferrovia de Integração Centro-Oeste (FICO) e a Ferrogrão, dois empreendimentos diretamente relacionados ao futuro da logística de Mato Grosso.

A FICO é especialmente relevante para o Estado por prever a conexão entre Mara Rosa (GO) e Lucas do Rio Verde, em um corredor de aproximadamente 888 quilômetros. O projeto integra o eixo ferroviário Leste-Oeste e amplia as possibilidades de conexão do Centro-Oeste com outras regiões e portos brasileiros.

O trecho entre Mara Rosa e Água Boa já está em implantação. Em julho, a ANTT publicou um novo cronograma regulatório para o empreendimento, estabelecendo a conclusão da primeira fase até abril de 2027 e da segunda fase até abril de 2028.

Para Mato Grosso, a expansão da FICO representa uma perspectiva que vai além do transporte de grãos. A ampliação da infraestrutura ferroviária pode favorecer a circulação de insumos, produtos industrializados, minerais e outras cargas, fortalecendo a integração entre diferentes setores da economia e criando novas alternativas logísticas para empresas instaladas ou interessadas em investir no Estado.

Outro projeto destacado pela ANTT é a Ferrogrão (EF-170), concebida para ampliar a conexão ferroviária do Centro-Oeste com os portos da região Norte. O empreendimento permanece na agenda federal de concessões ferroviárias e, em agosto, a ANTT registrou a atualização dos estudos de viabilidade e documentos jurídicos do projeto para encaminhamento ao Tribunal de Contas da União (TCU).

A importância estratégica da Ferrogrão está justamente na possibilidade de criar uma alternativa adicional aos atuais corredores de transporte utilizados pelo agronegócio e por outros segmentos produtivos. Com mais opções de conexão, a logística tende a ganhar eficiência e capacidade de resposta às necessidades de diferentes cadeias econômicas.

Segundo Guilherme Theo Sampaio, o desafio brasileiro é ampliar os investimentos ferroviários dos atuais cerca de R$ 21 bilhões para R$ 60 bilhões por ano e elevar a participação das ferrovias na matriz nacional de transportes, hoje próxima de 15%, para aproximadamente 20%.

Para o diretor-geral da ANTT, esse crescimento precisa ser acompanhado por uma visão integrada da infraestrutura. Ferrovias, rodovias e portos devem atuar de maneira complementar, formando corredores logísticos capazes de reduzir custos e aumentar a eficiência no transporte de cargas.

Essa integração ganha importância especial em Mato Grosso, um dos principais polos produtivos do país e que, ao mesmo tempo, amplia sua diversificação econômica. Com novas ferrovias, o Estado passa a ter condições de não apenas transportar aquilo que produz, mas também de criar uma infraestrutura capaz de sustentar novos negócios.

A própria FICO já representa esse movimento. Ao avançar em direção a Água Boa e, posteriormente, a Lucas do Rio Verde, o projeto amplia a conexão ferroviária com uma região que reúne forte produção agropecuária e crescente atividade empresarial e industrial.

Durante o fórum, Sampaio também destacou que grandes projetos ferroviários dependem de segurança contratual, segurança jurídica e estruturação financeira. Empreendimentos dessa dimensão exigem investimentos elevados e planejamento de longo prazo, muitas vezes com contratos que ultrapassam três décadas.

A previsibilidade regulatória, segundo ele, é fundamental para reduzir riscos e atrair capital privado. O ambiente também precisa oferecer segurança nas etapas de licenciamento ambiental, desapropriações e estruturação financeira.

Nesse cenário, a expansão ferroviária deixa de ser apenas uma questão de transporte. Para Mato Grosso, representa uma oportunidade de ampliar sua competitividade, aproximar diferentes regiões dos mercados consumidores, fortalecer cadeias produtivas e criar condições para uma economia cada vez mais diversificada.

A soja, o milho e os minerais continuarão tendo papel importante nos corredores ferroviários. Mas, com uma malha mais ampla e integrada, os trilhos podem transportar também novas oportunidades de desenvolvimento para o Estado.

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